Arquivado em Notícias Fotos Photoshoot Scans Séries La Ciencia de lo Absurdo Sense8 O Exorcista Teatro

Entrevista na revista Maxwell (Traduzida)

Na revista Maxwell México de novembro 2017 podemos encontrar uma entrevista que fizeram recentemente com o ator mexicano, por conta da estreia da segunda temporada de O Exorcista. Leia abaixo.


Arte e ofício de um ator fora de série

Alfonso Herrera está vivendo um dos melhor momentos da sua carreira. Imparável, motivado e comprometido, se transformou em um dos atores mais conhecidos na nova onda de séries televisivas e, como se não fosse o bastante, há pouco tempo estreou como pai do pequeno Dani, que assegura ser a melhor experiência que já aconteceu na sua vida. 

Quando Alfonso Herrera tinha 17 anos, viu seu futuro na aviação, por isso quis estudar em San Antonio, Tx. Porém, a atuação apareceu circunstancialmente em vários momentos da sua vida e não é algo que cause conflitos, pelo contrário. Desde suas primeiras telenovelas até hoje em dia (envolvendo-se em projetos realmente exitosos), Alfonso demonstrou que nasceu para estar na frente das câmeras.

Com sua participação nas séries Sense8 da Netflix e The Exorcist da FOX, Alfonso desafiou seu talento e ficou muito bem internacionalmente. Precisamente, The Exorcist é o que o mantém ocupado agora. Quando fizemos essa entrevista, Alfonso estava no Canadá para as filmagens da segunda temporada.

A série conseguiu excelentes opiniões, é inspirada na novela e nos filmes homônimos, um ícone do drama e do terror. Alfonso interpreta o padre Tomás, que precisa lutar contra diversas forças malignas. Enquanto o projeto demonstrou que as coisas bem feitas podem cativas um mercado que gosta de um gênero específico, Alfonso comprovou que os latinos podem fazer diversos tipos de papeis, não só aqueles que tem a ver com esteriótipos desgastados.  “Na primeira temporada havia uma ligação muito forte com o filme original de 1973. Porém, nessa segunda temporada estamos nos afastando um pouco mais do original. Estamos navegando com mais liberdade, explorando novas áreas geográficas nos Estados Unidos; a primeira temporada foi em Chicago e a segunda foi no noroeste, que é toda essa parte de Seattle e Montana. São duas atmosferas completamente diferentes, o que torta isso muito mais interessante e rico (com) esse contraste”, assegura Herrera.

O capítulo e inclusive uma parte do primeiro episódio de The Exorcist foram filmados na Cidade do México, de onde se originou o personagem de Alfonso, e ele desencadeou rumores de que uma terceira temporada poderia ser desenvolvida no País. “Falando um pouco com o criador da série e o produtor, disseram que provavelmente gostariam de explorar a parte norte americana da cultura católica e que isso poderia ser um elemento muito interessante para incorporar na série. E bom, isso aconteceria se avançarmos para uma terceira temporada. Ainda falta muito tempo”, assegura Herrera.

Como você consegue ter um leque tão amplo de possibilidades interpretando personagens tão diferentes entre si?
Eu acho que, antes de tudo, desfrutando. Eu desfruto muito o que eu faço e desfruto muito a criação dos meus personagens. Realmente é muito divertido, me divirto muito tanto no processo como na criação, na interpretação; fazer históris diferentes, buscar histórias e personagens interessantes.

Considera que representa um perfil de ator latino diferente, atual e moderno? 
Considero que em muitas ocasiões existe uma visão muito limitada do que nós, como mexicnos, representamos para os networks e para todas as cadeias de televisão (…). Basta ver alguns programas de televisão e alguns filmes para perceber essa visão tão clichê do que eles acreditam que somos. E algo que eu gosto bastante, especialmente tanto em O Exorcista como no personagem que interpretei em Sense8, é que são latino americanos, são mexicanos que não representam esse clichê e essa imagem equivocada na qual nos posicionam. Nós, como mexicanos, temos uma cultura realmente rica, temos cosas muito valiosas e acho que nesses projetos tanto os criadores como os escritores nos deram, como latinos, a possibilidade de compartilhar algo muito mais aterrizado, que mostra algo tridimensional, não algo caricaturesco, por assim dizer. E é algo que eu celebro.

Como ator, com que tipo de projetos você sonha?
Mais do que um projeto específico, trato de ser coerente com o que eu quero compartilhar e expressar. Eu acho que é importante escolher os projetos, e não digo como latino americano, porque eu tive a sorte e a possibilidade de trabalhar nesses lares. Somos responsáveis pelos papeis que escolhemos para que conheçam o que somos (…). Mi única meta é continuar avançando, seguir trabalhando sem importar qual seja o rumo: para o norte, para o sul, leste ou oeste. O que me importa é procurar histórias e personagens interessantes, que possam transformar ou dizer algo.

Em algum momento você gostaria de entrar na produção o escrever algum filme ou série?
Não sei, provavelmente. Acho que para poder entrar com tudo em uma produção e poder estar do outro lado da câmera, você precisa encontrar um projeto que te tire o sono e algo que realmente te preencha e você diga ‘Isso! Vou entrar 100% nisso!’ e acho que isso ainda não chegou e nesse momento eu valorizo muito o sono, principalmente com um pequenino de alguns centímetros.

Como foi a experiência de ser pai?
Foi a montanha russa mais incrível e interessante. O mais incrível que me aconteceu. O processo é o que mais te ensina; é o maior aprendizado da minha vida.

Você teve que trocar fraldas?
Tudo. Absolutamente de tudo.

Em que entorno você gostaria que seu filho crescesse?
Eu gostaria de viver em uma sociedade que respeita as diferenças, que valorize as diferenças. Acho que nesse momento estamos vivendo momentos obscuros e um pouco tenebrosos (…). Basta abrir um jornal ou uma revista e você vai perceber o caos em que estamos metidos. Estou seguro de que, em algum momento, quando passarmos por tudo isso, vamos voltar a esse ponto e eu espero que meu filho possa ser testemunha de um mundo mais respeitoso.

Você acha que pode haver uma mudança de consciência, voltar à origem?
Sim, acho que sim. Eu acho que as gerações que virão vão aprender com os erros que nós cometemos. E acho que absolutamente todas as gerações fazem isso (…). Espero que não voltemos ao ponto em que nos encontramos agora, é um mundo tão peculiar o que nos encontramos nesse momento (…). Foi um ano cheio de mudanças para nos adaptarmos, e nessa adapção encontramos muitos aprendizados. Acho que foi um ano muito complicado (…) com tantas situações que aconteceram, desde o terremoto, os furacões, Trump, todos esses movimentos que ocorreram na Europa – quase quase chegando ao fascismo -. Foi um ano extremamente duro. E volto ao mesmo ponto, espero que não voltemos a isso jamais.

 

Após o inesperado corte da série Sense8, a Netflix decidiu filmar um último capítulo especial que durará duas horas; Com filmagens na Europa, Alfonso passará, dessa forma, os últimos meses de 2007 com uma dinâmica complicada, porque, por um lado, também precisa estar no Canadá para as filmagens de The Exorcist. Logo estará de volta ao México para as gravações da quinta temporada do programa de comédia La Ciencia de lo Absurdo, assim como para começar a ensaiar para uma peça de teatro.

Revista Maxwell

Share